Gil recebe lançamento pela esquerda e avança. Com um giro desconcertante, deixa André Luis no chão. Levanta a cabeça e dá passe para Marcelinho Carioca. Inteligente, o Pé de Anjo faz corta-luz e deixa a bola passar para Ricardinho. De chapa, com categoria, o meia marca. Tiro seco no canto direito de Fábio Costa. O golaço aos 47 minutos do segundo tempo classificava o Corinthians para a final do Paulistão e significava mais um ano de sofrimento para o Santos.
Motivo de muita tristeza e mais brincadeiras dos rivais, a eliminação do Peixe em 2001 é justamente uma das responsáveis pelo início da formação do time campeão Brasileiro de 2002. Na dor de mais uma derrota foi decidida a mudança radical nos investimentos do clube. Retomar a tradição dos Meninos da Vila era necessário. Mais do que isso: era a única saída.
Marcelinho Carioca participou do lance traumático para os santistas, mas também vestiu a camisa do Peixe. Ele, Edmundo e Rincón, entre tantos outros atletas renomados, jogaram nos times do Santos de 2000 e 2001. Investimento pesado. Retorno zero. A esperança do presidente Marcelo Teixeira de ver o time levantando uma taça se esvaiu tão rápido quanto o dinheiro do clube. Eram tempos ingratos, de vacas magras. E tudo parecia ir de mal a pior.
“Estamos mortos, não temos jogadores”, decretou o técnico Leão a Marcelo Teixeira, antes de conhecer a fundo o elenco santista e depois de ter boa parte de seus pedidos de reforços negados. Leão classifica como “medonha” a situação do clube à época. Sem estrutura e dinheiro, o jeito era apostar na molecada. Mas isso só foi possível graças à contribuição de seu antecessor: Celso Roth.

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